Indígenas só vão iniciar a desocupação da área da portuária de Santarém após revogação publicada no Diário Oficial

  • 23/02/2026
(Foto: Reprodução)
Governo Federal revoga Decreto 12.600 após reunião com lideranças indígenas em Brasília Indígenas que ocupam a área de acesso ao porto da Cargill, em Santarém, no oeste do Pará, só vão começar a desocupar o local após a publicação, no Diário Oficial da União, da revogação do Decreto 12.600. ✅ Clique aqui e siga o canal g1 Santarém e Região no WhatsApp Durante a ocupação, as lideranças deixaram claro que a desmobilização só ocorrerá após a publicação oficial da revogação. O cacique Rogério Arapiun destacou que a permanência no local é uma forma de garantir que a decisão fosse formalizada. “O que a gente queria, que era a revogação do decreto 12.600, já aconteceu. Mas só vamos sair daqui quando realmente cair no Diário Oficial da União”, afirmou. Ele classificou a revogação como uma vitória histórica para os povos da região do Tapajós. Ministros Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral da Presidência da República, e Sônia Guajajara, dos Povos Indígenas, após reunirem-se com os lideranças do movimento Divulgação “Essa revogação pra nós significa uma vitória muito grande. A gente está há 33 dias aqui. Foi uma luta com muita força espiritual e decisão coletiva dos nossos caciques e lideranças”, declarou. Segundo o cacique, 17 etnias participaram do movimento, com representantes do Pará e do Mato Grosso, incluindo povos do Baixo, Médio e Alto Tapajós. No período mais intenso da mobilização, cerca de 1.200 indígenas estavam acampados na área. O decreto, editado em agosto de 2025, previa estudos para empreendimentos no Rio Tapajós e vinha sendo contestado pelos povos originários, que alegavam ausência de consulta prévia, livre e informada, como determina a Convenção 169 da OIT. O Governo Federal revogou o Decreto 12.600 após reunião com lideranças indígenas das regiões do Tapajós, Tocantins e Madeira nesta segunda-feira (23). A decisão foi tomada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva após reunião com lideranças indígenas em Brasília. O anúncio foi feito pelos ministros Guilherme Boulos e Sônia Guajajara. O ministro Guilherme Boulos afirmou que a revogação demonstra a disposição do governo em dialogar com os movimentos sociais. “Houve uma mobilização legítima e justa dos povos indígenas em relação a esse decreto, e o governo do presidente Lula tem a capacidade de escuta. O governo do presidente Lula ouve a sociedade”, declarou. Boulos também ressaltou que a política ambiental do governo permanece inalterada. “A política do governo de sustentabilidade e preocupação ambiental segue viva, intacta, expressa na redução do desmatamento ano após ano, desde 2023”, completou. Já a ministra Sônia Guajajara destacou o caráter humanitário da decisão. “Os indígenas estão há 33 dias na ocupação com mulheres, crianças, e seguem lá acampados em condições precárias. Então foi muito importante a gente também considerar essa questão humanitária que se encontra o movimento neste momento”, afirmou. A ministra acrescentou ainda que a decisão reafirma compromissos internacionais assumidos pelo Brasil. “Hoje a gente vem reafirmar esse nosso compromisso com o respeito à Convenção 169 da OIT e com o direito de escuta dos povos originários”, disse. VÍDEOS: mais vistos do g1 Santarém e Região

FONTE: https://g1.globo.com/pa/santarem-regiao/noticia/2026/02/23/indigenas-so-vao-iniciar-a-desocupacao-da-area-da-portuaria-de-santarem-apos-revogacao-publicada-no-diario-oficial.ghtml


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