Comerciantes apontam queda nas vendas de açaí após surto de doença de chagas em Ananindeua
31/01/2026
(Foto: Reprodução) Cresce o alerta para doença de chagas após 37 casos confirmados em Ananindeua
O surto de doença de chagas registrado em Ananindeua, na Grande Belém, tem impactado a rotina de comerciantes e consumidores de açaí. Apenas em janeiro de 2026, o município registrou quatro mortes, número maior que todos os óbitos registrados nos últimos cinco anos.
De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), foram 26 casos notificados em dezembro e 14 em janeiro. Dados da Secretaria de Estado de Saúde Pública do Pará (Sespa) mostram que até março de 2025 foram registrados 45 casos em todo o estado.
O Ministério da Saúde reconhece que o município enfrenta um surto da doença, onde a principal suspeita de transmissão está associada a falhas no manuseio e na limpeza do açaí.
✅ Clique e siga o canal do g1 PA no WhatsApp
Dados da Secretaria de Saúde Pública do Pará (Sespa) mostram que o número de casos registrados até o momento em Ananindeua, apenas em janeiro, representa cerca de 30% de todos os casos de 2025.
Comerciantes preocupados
Entre os vendedores, a percepção é de diminuição nas vendas após a divulgação dos casos. Proprietário de um ponto de açaí no bairro do 40 Horas, o comerciante Júnior Silveira afirma que a procura diminuiu desde o início de 2026.
“Sempre que surgem casos da doença, as vendas caem. Trabalho há sete anos com açaí e isso acontece quase todo ano”, relata.
Surto da doença provoca queda nas vendas de açaí e muda a rotina de comerciantes e consumidores.
Divulgação
Segundo ele, em períodos de safra, o movimento chega a 90 a 100 litros vendidos por dia durante a semana e cerca de 140 litros nos fins de semana.
Durante o surto, as vendas chegaram a 60 litros nos dias de semana e 80 litros nos fins de semana.
Júnior relata, ainda, que os consumidores passaram a questionar com mais frequência sobre a higiene e o preparo do produto.
Para tentar manter a confiança dos clientes, o ponto reforçou os cuidados com a higiene e o preparo do produto.
Segundo o comerciante, o açaí passa por um processo rigoroso de higienização antes de chegar ao consumidor, que inclui peneiração, lavagens sucessivas, uso de solução adequada para desinfecção, branqueamento, resfriamento e batimento com água filtrada.
Júnior afirma que o estabelecimento também adota práticas de limpeza diária do espaço e dos equipamentos e busca manter o processo transparente, permitindo que os clientes acompanhem o preparo do açaí no local.
“Todos os dias perguntam sobre o manuseio do açaí. A gente faz vídeos, convida os clientes para verem como é feito e isso ajuda a gerar confiança”, conta.
Surto da doença provoca queda nas vendas de açaí e muda a rotina de comerciantes e consumidores.
Divulgação
Outro comerciante que sente o impacto causado pelo surto da doença é Marcelo, que há mais de 20 anos trabalha com venda de açaí.
No estabelecimento dele são comercializados, em média, 200 litros por dia, muitos vendidos a clientes que conhecem seu trabalho há anos.
Marcelo conta que investe em capacitação e melhorias no local, como manutenções necessárias nos maquinários e na manipulação dos alimentos.
"Processo necessário para levar segurança aos nossos clientes e nos deixar seguros também", afirma.
Quarta vítima da doença ficou internada por duas semanas
A Prefeitura de Ananindeua confirmou a quarta morte causada pela doença de Chagas no município. A vítima mais recente é uma menina de 11 anos, que morreu após quase duas semanas internada na UTI de um hospital particular no bairro do Umarizal, em Belém.
Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, exames confirmaram que a criança contraiu a doença e apresentou agravamento do quadro clínico com insuficiência cardíaca, estágio mais grave da infecção. A família informou que consumiu açaí no município de Ananindeua. O irmão da menina, uma criança de 5 anos teve sintomas da doença.
Por meio de nota, a Prefeitura de Ananindeua informou que intensificou ações de vigilância, monitoramento, fiscalização e orientação, em parceria com o Ministério da Saúde, a Sespa e o Instituto Evandro Chagas, e que segue acompanhando a evolução dos casos no município.
VÍDEOS: veja todas as notícias do Pará